Páginas

sábado, 20 de fevereiro de 2010

O HOMEM QUE SABE















Quando ouvimos, ou lemos, a expressão homo sapiens, nem nos preocupamos com seu sentido. O homo sapiens assim é designado por ser considerado "o homem que sabe", que possui entendimento. Aquele homem que já produz cultura elaborada e possui um progresso técnico considerável. Em outras palavras, o homem atual. São dois os grupos humanos apreciados dentro deste conceito: o homem de neanderthal http://pt.wikipedia.org/wiki/Homem-de-neandertal e o homem de cro-magnon http://pt.wikipedia.org/wiki/Cro-Magnon.
Pode parecer esdrúxulo para a cabeça do leitor comum, mas os paleontólogos não têm consenso em considerar o neanderthal como pertencente ao gênero sapiens. A questão é que o homem moderno e o neanderthal não possuem qualquer compatibilidade genética. Em outras palavras, são duas espécies distintas, que se desenvolveram de forma paralela, porém separadamente.
Os neanderthais _que possuem esta denominação por ter sido encontrada uma de suas primeiras ossadas no vale de Neander, Alemanha _eram baixos, atarracados, musculosos, com arcadas ciliáres pronunciadas e abóbada craniana baixa. Sua imagem tornou-se o arquétipo do "troglodita", do "homem das cavernas". Os arqueólogos não têm muita idéia de como seria, efetivamente, sua aparência, mas levantam a possibilidade de que ele teria sido branco e mesmo ruivo. Eram bastante hábeis na fabricação de instrumentos diversos, como lanças, machados, facas de pedra, etc.... As numerosas ossadas de animais encontradas em seus sítios arqueólogicos demonstra que ele era caçador muito habilidoso.
O fato de que ele já sepultava seus mortos, faz os estudiosos pensarem na possibilidade de ele já ter desenvolvido algum tipo de religiosidade. Foi encontrada ainda uma espécie de flauta, feita de fêmur de urso, em um sítio arqueólogico na Eslovênia, o que parece demonstrar que o neanderthal já produzia música e arte. Muitos arqueólogos, porém, se questionam se este instrumento não teria sido assimilado pelos neanderthais a partir de seu contato com outro tipo humano _este sim, já totalmente dentro do feitio do homem moderno: o homem de cro-magnon.
O cro-magnon recebeu esta denominação porque sua primeira ossada foi encontrada em uma caverna na localidade de Cro-Magnon, na França, no ano de 1868. Tratava-se de um ser humano alto, cujos indivíduos do sexo masculino mediam entre 1.80m e 2 metros. Estudos de seus crânios, deixa claro que sua aparência era semelhante as dos atuais escandinavos (noruegueses, suecos e dinamarqueses), ou seja, aloirados, de pele branca, traços finos e, provavelmente de olhos claros.
Embora ainda vivesse em cavernas, o cro-magnon já produzia arte, sendo encontradas numerosas pinturas nas paredes das cavernas por onde ele habitadas, além de flautas feitas de ossos e espécies de "berrantes" feitos de chifre de rena e outros animais. Colares, brincos e outras formas de adorno foram também encontrados em abundância em seus assentamentos. Já fabricava agulhas de osso, arpões e anzois. Como não foram encontrados tecidos em seus sítios arqueólogicos, é pouco provável que ele conhecesse a arte da tecelagem. Suas roupas devem ter sido feitas, majoritariamente, de pele de animais costuradas.
Devido à delicadeza de certos instrumentos for ele utilizado, fica claro que sua sociedade já era estratificada, possuindo uma casta de artesãos e outra de caçadores e pescadores especializados. Este fato determina, para muitos historiadores e arqueólogos, que o cro-magnon foi o primeiro ser humano a constituir civilização (vida social organizada, com um projeto social definido). A prática religiosa também já é evidente em sua sociedade, devido às numerosas pinturas rituais e seulturas elaboradas encontradas nas cavernas por onde ele passou.
O fato de tanto o neanderthal, quanto o cro-magnon terem existido no mesmo período (entre 200.ooo a.C e 30.ooo a.C) e, ao que os vestígios indicam, em vários momentos, no mesmo espaço, faz os paleontólogos pensarem na possibilidade de uma covivência entre as duas espécies. Discute-se se esta convivência foi passífica, ou conflituosa. Os neanderthais não possuíam a mesma habilidade de fala que os cro-magnons (a conformação da língua e das mandíbulas dos neanderthais só permitia uma fala lacônica e arrastada), o que reduz muito a probabilidade de um entendimento maior entre os dois grupos.
Geneticistas não têm consenso se era possível um cruzamento sexual entre neanderthais e o homem moderno. Muitos defendem que uma interação sexual entre as duas espécies seria estéril. O fato é que os neanderthais habitaram regiões muito frias, de temperaturas glaciais tão ingratas, que os obrigava à prática do canibalismo nas cavernas, quando os longos invernos exauria suas últimas reservas de alimento. Este fato, mais a evidência de seu súbito desaparecimento (sua espécie não deixa mais vestígios após 30.000 a.C), nos faz pensar na possibilidade de uma dizimação em massa. Não se descarta a possibilidade de uma dizimação por guerras entre os dois grupos, mas há quem defenda o fim da espécie a partir do cruzamento com os seres humanos modernos, geneticamente dominantes. À estas duas hipóteses, junto a minha: os neanderthais, fugindo do avanço crescente de nossa espécie, foi-se isolando nas áreas glaciais inóspitas, onde era compelido a um crescente canibalismo. Sendo assim, ao meu ver, é provável que a espécie neanderthalense tenha desaparecido por autofagia!... Ou seja, teria, literalmente, "devorado a si mesma" até a extinção.

Nenhum comentário:

Postar um comentário